A previsão de intensificação do El Niño nos próximos meses amplia a discussão sobre a preparação dos municípios mineradores para enfrentar eventos climáticos extremos. Em cidades onde a mineração convive com comunidades, cursos d’água e estruturas industriais de grande porte, o planejamento territorial e a prevenção de riscos ambientais são desafios para as administrações municipais.
Segundo o Boletim nº 5 do Painel El Niño, divulgado pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) em 29 de outubro, as projeções indicam elevada probabilidade de que o fenômeno atinja intensidade muito forte a partir de novembro de 2026.
Para o período entre novembro de 2026 e janeiro de 2027, a previsão aponta maior probabilidade de chuvas acima da média em partes do Sudeste, além da Região Sul e de áreas do Centro-Oeste. A intensidade e a distribuição dos efeitos dependem, entretanto, da evolução das condições atmosféricas e oceânicas.
O tema estará entre os destaques do 7º Encontro Nacional dos Municípios Mineradores, promovido pela Associação Brasileira dos Municípios Mineradores (AMIG Brasil), nos dias 24 e 25 de novembro, em Belo Horizonte.
O evento reunirá gestores públicos, pesquisadores, especialistas e representantes do setor mineral para discutir os impactos da mineração sobre os territórios e a capacidade dos municípios de planejar seu desenvolvimento e prevenir riscos.
Mudanças climáticas e gestão de riscos entram na pauta dos municípios
Um dos painéis será conduzido pelo economista Carlos Young, professor titular do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e coordenador do Grupo de Economia do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável.
Com o tema “Mineração: Impactos Ambientais, Mudanças Climáticas e Papel dos Municípios Mineradores”, a palestra está marcada para 24 de novembro, das 10h30 às 12h.
O debate deverá abordar os desafios da gestão ambiental em territórios mineradores, onde eventos extremos podem exigir ações coordenadas de prevenção, monitoramento e resposta.
Entre as frentes de preparação estão o conhecimento das áreas vulneráveis, o planejamento urbano e territorial, a proteção dos recursos hídricos e a articulação entre prefeituras, empresas, Defesa Civil e órgãos fiscalizadores.
O fortalecimento da capacidade técnica das administrações municipais também é relevante para acompanhar alterações no território, identificar situações de risco e planejar medidas preventivas.
Carlos Young é doutor em Economia pela University College London e desenvolve pesquisas sobre economia ambiental, recursos naturais, conservação e mudanças climáticas.
Especialista da AMIG Brasil participará após a COP31
A mediação do painel será feita por Thiago Metzker, consultor ambiental da AMIG Brasil. Segundo as informações divulgadas pela associação, Metzker participará do encontro após a COP31, conferência das Nações Unidas sobre mudanças climáticas, prevista para ocorrer entre 9 e 20 de novembro, em Antalya, na Turquia.
Biólogo formado pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), Metzker é mestre e doutor em Ecologia, Conservação e Manejo da Vida Silvestre pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
Em posicionamento divulgado pela AMIG Brasil, a entidade defende que os municípios tenham acesso a mais informações, capacidade técnica e participação nas decisões que afetam os territórios mineradores.
“Diante do El Niño e dos desafios impostos pelas mudanças climáticas, é fundamental antecipar cenários, conhecer as vulnerabilidades do território e fortalecer a articulação com os órgãos responsáveis e com as empresas mineradoras”, afirma a associação.
Reforma Tributária, licenciamento e minerais críticos também serão discutidos
Além dos riscos climáticos, o encontro abordará mudanças que podem afetar diretamente a economia e a administração dos municípios mineradores.
Em 24 de novembro, a programação inclui um painel sobre os impactos da Reforma Tributária, com discussões sobre cadastros imobiliários, o Comitê Gestor do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e os efeitos da tributação no destino sobre as receitas municipais.
No dia 25, os debates abordarão a nova Lei Geral do Licenciamento Ambiental, os desafios dos processos de licenciamento de empreendimentos de médio e grande porte e o uso das geociências no planejamento territorial e na gestão de riscos.
A Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos também terá espaço na programação, com palestra do professor Bruno Milanez, da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF).
O evento ainda contará com apresentações de experiências dos municípios de Itatiaiuçu, Matozinhos e Ouro Preto nas áreas de gestão pública e desenvolvimento territorial.
O 7º Encontro Nacional dos Municípios Mineradores será realizado no auditório do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG), em Belo Horizonte, com inscrições disponíveis no site oficial do evento.
7º Encontro Nacional dos Municípios Mineradores
Data: 24 e 25 de novembro de 2026
Local: Auditório do TCE-MG, Avenida Raja Gabaglia, 1.315, Belo Horizonte
Painel sobre mudanças climáticas: 24 de novembro, das 10h30 às 12h
Palestrante: Carlos Young (UFRJ)
Mediador: Thiago Metzker (AMIG Brasil)
Inscrições: https://www.encontronacionalamig.com.br/




