A Prefeitura de Araxá afirmou nesta terça-feira (1º) que não participou das tratativas relacionadas ao projeto para implantação de um centro de processamento e separação de terras raras em Uberlândia, no Triângulo Mineiro. O empreendimento em estudo poderá utilizar matéria-prima proveniente do Projeto Araxá, da mineradora australiana St George Mining.

A manifestação ocorreu após a divulgação de informações sobre um protocolo de intenções envolvendo a St George, o Grupo Lima & Pergher e apoio do Governo de Minas para estudar a instalação da unidade industrial em Uberlândia.

Segundo a Prefeitura, Araxá não integra o protocolo divulgado e, até o momento, não houve negociação com a administração municipal para o início da exploração de terras raras no município nas condições apresentadas publicamente.

O centro de Uberlândia ainda está em fase de avaliação. A proposta é criar uma estrutura capaz de receber produtos intermediários da mineração de terras raras e avançar em etapas de processamento, separação e, potencialmente, refino dos elementos.

A St George pretende fornecer matéria-prima do Projeto Araxá ao futuro centro. O desenho tecnológico da instalação, entretanto, ainda não foi definido e também não há decisão final de investimento para sua construção.

Prefeitura cobra contrapartidas para Araxá

Ao se posicionar sobre o projeto, a Prefeitura indicou que pretende participar das discussões antes do avanço da atividade mineral e cobrar benefícios para o município.

Segundo o prefeito Robson Magela, eventuais negociações deverão considerar a importância dos recursos minerais existentes em Araxá e garantir que os investimentos também produzam efeitos econômicos e sociais na cidade.

“A Prefeitura ainda não participou de nenhuma tratativa sobre esse projeto. Quando esse diálogo acontecer, vamos defender os interesses de Araxá e buscar garantias de que um empreendimento dessa dimensão também gere desenvolvimento, investimentos e oportunidades para o município”, afirmou.

Entre as contrapartidas defendidas pela administração municipal está a realização de investimentos estruturais capazes de acompanhar um eventual crescimento da atividade econômica e da população.

O prefeito citou especificamente a implantação do Hospital Municipal. Segundo a Prefeitura, estudos já indicaram a necessidade de ampliar a estrutura de saúde diante do crescimento populacional projetado para os próximos anos.

“Daqui a cinco anos, Araxá já vai ter 10 mil habitantes a mais. Se a gente for nessa média, daqui a 10 anos, Araxá vai ter 20 mil habitantes a mais. Nós temos que nos preparar para o futuro”, disse Magela.

Centro em Uberlândia ainda está em estudo

A proposta em discussão prevê a instalação do centro no complexo industrial da START, divisão química e industrial do Grupo Lima & Pergher, em Uberlândia.

A intenção é avançar em etapas da cadeia produtiva de terras raras que hoje ainda são pouco desenvolvidas no Brasil. O centro poderá receber materiais como concentrados, carbonato misto de terras raras e oxalatos e submetê-los a novas etapas de processamento.

Dependendo da tecnologia escolhida, a instalação poderá chegar à separação e ao refino de elementos utilizados, por exemplo, na fabricação de ímãs permanentes. O desenho definitivo da planta, porém, ainda será definido pelos estudos em andamento.

A meta preliminar divulgada pelas empresas é iniciar as operações até 2030, mas o cronograma dependerá dos estudos, do processo de licenciamento e da decisão final de investimento. Até agora, não existe compromisso definitivo para a construção da unidade.

O Governo de Minas participa das discussões principalmente por meio da Invest Minas, que deverá prestar apoio institucional, auxiliar na interlocução com órgãos públicos e acompanhar processos de aprovação e licenciamento. O acordo não prevê, neste momento, aporte financeiro do Estado nem garante a concessão de incentivos fiscais.

Projeto Araxá poderá fornecer matéria-prima

O Projeto Araxá, da St George Mining, é apontado como uma das potenciais fontes de matéria-prima para o futuro centro.

A mineradora informou recentemente uma estimativa de 111,2 milhões de toneladas de recursos minerais, com teor médio de 3,57% de óxidos totais de terras raras. Desse volume, 75,2 milhões de toneladas estão classificados nas categorias medida e indicada. Os números são estimativas de recursos minerais e não significam, por si só, reservas economicamente lavráveis.

O projeto está localizado próximo às operações de nióbio da CBMM, em Araxá, e integra o movimento de expansão dos investimentos em minerais críticos em Minas Gerais.

A Prefeitura afirma que continuará acompanhando as discussões sobre a possível exploração das terras raras e que futuras negociações deverão assegurar benefícios efetivos para o município.

A definição sobre quais etapas da cadeia produtiva ficarão em Araxá e quais poderão ser realizadas em Uberlândia deverá ganhar importância à medida que os dois projetos avancem. A St George informou que pretende fornecer matéria-prima de Araxá ao centro, mas o desenho industrial da unidade de Uberlândia ainda não está fechado.