Uma das mudanças mais importantes na estrutura de comando da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) nos últimos anos foi anunciada nesta semana. Benjamin Steinbruch deixa a presidência executiva da companhia e passa a ocupar a Presidência do Conselho de Administração. Para seu lugar, a partir desta quinta-feira (3 de setembro), assume Fábio Schvartsman, ex-presidente da Vale e da Klabin.
A mudança foi aprovada pelo Conselho de Administração e comunicada ao mercado por meio de fato relevante divulgado pela CSN na terça-feira (2). No documento, a companhia confirmou a eleição de Steinbruch para a Presidência do Conselho e informou que Schvartsman passa a exercer o cargo de Presidente Executivo da empresa.
A transição marca o fim de um ciclo de mais de duas décadas de Benjamin Steinbruch à frente da operação executiva da companhia. Ele assumiu como CEO da CSN em 2002 e, ao longo desse período, conduziu a transformação da empresa de uma companhia essencialmente siderúrgica para um grupo diversificado, com operações também em mineração, logística, cimento e energia.
Steinbruch, no entanto, não deixará a estratégia da companhia. Como presidente do Conselho de Administração, continuará participando das principais decisões corporativas, enquanto a condução das operações ficará sob responsabilidade de Schvartsman. O executivo já havia ocupado posições de comando em grandes empresas brasileiras, incluindo a presidência da Klabin e, entre 2017 e 2019, a presidência executiva da Vale.
Mudança ocorre em momento decisivo para a CSN
A chegada de Fábio Schvartsman ao comando executivo ocorre em meio a um processo de revisão da estrutura de capital da CSN. A companhia busca reduzir o endividamento e avalia a venda de ativos como parte da estratégia de desalavancagem.
No segundo trimestre de 2026, a alavancagem da companhia ficou em aproximadamente 3,5 vezes a relação entre dívida líquida e Ebitda. Entre os ativos que podem entrar nesse processo está a CSN Cimentos. A empresa recebeu propostas pelo negócio, embora Steinbruch tenha afirmado que ainda não existe acordo fechado para a venda.
Ao comentar a mudança, Steinbruch afirmou que a nova etapa deverá priorizar a redução da dívida, a melhoria da estrutura de capital e os ativos de maior margem da companhia. A estratégia, segundo ele, não muda com sua saída da presidência executiva.
A CSN atua hoje de forma integrada nos segmentos de siderurgia, mineração, cimento, logística e energia. A diversificação foi construída principalmente durante as mais de duas décadas em que Steinbruch esteve à frente da gestão executiva.
Na mineração, a companhia está entre as maiores produtoras de minério de ferro do país e opera por meio da CSN Mineração. O grupo também possui uma estrutura logística que inclui ferrovias e terminais portuários, conectando a produção mineral aos mercados doméstico e internacional.
Novo CEO já comandou Vale e Klabin
Fábio Schvartsman chega à CSN com uma trajetória de aproximadamente cinco décadas em grandes empresas brasileiras. Engenheiro de produção formado pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP) e pós-graduado em Administração de Empresas pela Fundação Getulio Vargas (FGV), passou por companhias como Duratex, Grupo Ultra, Telemar e San Antonio Internacional.
Entre 2011 e 2017, comandou a Klabin. Em maio de 2017, assumiu a presidência executiva da Vale, onde permaneceu até 2019.
Schvartsman deixou o comando da mineradora após o rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho, em janeiro de 2019. O executivo se afastou da presidência da Vale pouco mais de um mês depois da tragédia.
Mais recentemente, Schvartsman integrou conselhos de administração de outras companhias, entre elas a Vibra Energia.
Ao assumir a CSN, o executivo afirmou que pretende dar continuidade ao legado construído por Steinbruch, com atenção à eficiência e à execução da estratégia.
“Meu desafio será dar continuidade ao legado construído pelo Benjamin ao longo dos últimos 24 anos. Felizmente, terei ele e toda a equipe ao meu lado para elevar ainda mais a eficiência, fortalecer a disciplina na execução e transformar as oportunidades do Grupo em valor sustentável”, afirmou Schvartsman em comunicado divulgado pela companhia.
Steinbruch, por sua vez, continuará diretamente ligado às decisões estratégicas da CSN. Na presidência do Conselho de Administração, deverá concentrar sua atuação na visão de longo prazo, nos grandes investimentos e no acompanhamento das principais oportunidades do grupo.
A mudança encerra, portanto, um ciclo de 24 anos de Steinbruch na gestão executiva, mas não representa sua saída da CSN. A partir desta quinta-feira, a companhia passa a separar de forma mais clara a condução cotidiana dos negócios, sob responsabilidade de Schvartsman, da liderança estratégica exercida por seu controlador no Conselho de Administração.





