Congonhas, um dos principais municípios mineradores de Minas Gerais, poderá ganhar uma nova área de proteção ambiental na Serra do Pires. Um projeto de lei prevê a criação do Monumento Natural da Serra do Pires (Mona), com 207 hectares destinados à conservação da biodiversidade, das nascentes, dos cursos d'água e da paisagem da região.
A proposta faz parte de uma iniciativa que envolve a Prefeitura de Congonhas e a Ferro+, empresa do Grupo J. Mendes, e foi apresentada durante evento realizado na Serra do Pires. A parceria inclui ainda R$ 30 milhões em investimentos destinados a ciência e educação, saneamento e infraestrutura urbana no município.
A criação do Monumento Natural, no entanto, ainda depende da aprovação do projeto de lei e das etapas necessárias para a formalização da unidade de conservação.
Proteção restringe atividades como mineração
A Serra do Pires reúne características biológicas, geológicas e hídricas consideradas relevantes para a conservação. A proteção da área deverá contribuir para a preservação de nascentes e cursos d'água e para a formação de corredores ecológicos na região.
O Monumento Natural é uma categoria de unidade de conservação de proteção integral. Seu objetivo é preservar sítios naturais raros, singulares ou de grande beleza cênica.
Com a criação da unidade, atividades incompatíveis com os objetivos de conservação da área ficam sujeitas às restrições estabelecidas pela legislação e pelas regras específicas da unidade. Isso inclui intervenções capazes de provocar alterações significativas no ambiente.
No caso de Congonhas, a proposta ganha relevância adicional pela relação histórica do município com a mineração e pela presença da atividade mineral em seu território.
Após a aprovação do projeto de lei, deverão ser desenvolvidos os procedimentos técnicos necessários para a formalização da área no Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza.
Serra também deverá receber observatório e planetário
Além da proposta de proteção ambiental, a Serra do Pires deverá receber um Observatório e Planetário, que está sendo projetado pelo Laboratório Nacional de Astrofísica e envolve convênio com a Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ).
A Ferro+ destinará R$ 15 milhões para a implantação do equipamento. A previsão é iniciar as obras em 2027 e inaugurar a estrutura no segundo semestre de 2028.
O projeto deverá apoiar atividades de pesquisa científica e ampliar as possibilidades de formação, educação e inovação em Congonhas.
O observatório integra um pacote de R$ 30 milhões previsto em termo de compromisso social firmado entre a J. Mendes, por meio da Ferro+, e a Prefeitura.
Além dos R$ 15 milhões destinados ao equipamento científico, outros R$ 8 milhões serão direcionados ao subsídio tarifário do fornecimento de água potável e tratamento de esgoto, enquanto R$ 7 milhões serão aplicados na requalificação urbana do bairro Pires. Os repasses serão feitos de forma parcelada.
Segundo o prefeito Anderson Cabido, a participação da empresa foi determinante para viabilizar os projetos.
“Sem essa parceria, não seria possível construir o Observatório e o Planetário e aplicar os recursos diretamente para resolver os problemas de abastecimento de água e de saneamento do bairro, uma demanda que a nossa comunidade tanto anseia”, afirmou.
Marcelo Oliveira, diretor de Pessoas da J. Mendes, relacionou a iniciativa à convivência entre mineração, desenvolvimento econômico e preservação ambiental.
“Sabemos que mineração e prosperidade precisam caminhar lado a lado, com responsabilidade ambiental e respeito às pessoas. Acreditamos que isso só é possível quando existe diálogo transparente e disposição para elaborar soluções em conjunto”, disse.
A formalização da parceria ocorreu em evento na Serra do Pires com representantes da Prefeitura, do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), da UFSJ, do Laboratório Nacional de Astrofísica e da Assembleia Legislativa de Minas Gerais.




